quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

AQC ENTREVISTA: NEY MORAES (*) SOBRE HENFIL

Esta série de entrevistas é uma iniciativa da AQC em apoio ao livro "Sick da Vida", coletânea de entrevistas do cartunista Henfil organizadas pelo quadrinhista, jornalista, escritor e biógrafo Gonçalo Silva Jr. O livro foi lançado na plataforma Catarse pela Editora Noir. Por isso, pedimos que você apoie, compartilhe e comente. https://www.catarse.me/henfil
1. Como você conheceu o trabalho do Henfil?
Em casa, com meus pais. Líamos o Pasquim desde os anos sessenta e o Henfil era dos meus desenhistas favoritos, com um humor extremamente crítico. Eu adorava o Fradim e a turma da caatinga (Zeferino, Graúna e Bode Orellana) e Ubaldo, o paranóico. Lia as cartas para a mãe, numa revista semanal (acho que era na Isto é...).
2. Qual foi o impacto inicial?
Henfil foi parte da minha formação política no final da infância e adolescência. Oferecia generosamente um olhar crítico sobre o cotidiano da ditadura e do processo de luta pela redemocratização do Brasil.
3. O que chamou mais atenção o humor escrito, as gags visuais ou o traço?
Os três aspectos se integravam com perfeição. Um traço leve, ligeiro, um humor ácido e tiradas geniais se combinavam na crônica diária.
4. Seu trabalho teve influência direta? Se teve, em que sentido?
A arte do Henfil contribuiu diretamente na minha crítica política, no jeito como vejo a realidade brasileira e como atuo sobre as questões sociais. Como minha profissão é centrada na organização comunitária e na mobilização, a influência é direta e muito importante.
5. Qual foi a impacto dos Quadrinhos e Charges do Henfil na Imprensa Sindical? E na esquerda?
Desde os anos sessenta, o movimento sindical de luta organizava jornais como instrumento de mobilização e formação política de suas bases. Nesses jornais, as charges do Henfil eram frequentes, pois a linguagem, o desenho e o humor eram muito fáceis de ler e compreender, sendo uma arma estratégica de comunicação rápida e eficiente. No início dos anos oitenta, Henfil era unanimidade (ou quase isso) tendo uma parte da sua produção virado uma peça de teatro, Revista do Henfil, que correu o país com muito sucesso. Muito dessa produção foi utilizada nos materiais educativos e militantes do PT e de outras organizações, como os centros de formação do movimento sindical. Nessa época, as páginas de humor do Henfil nas revistas semanais eram assunto das conversas entre amigos, sempre chamando atenção para a crônica política e social.
6. Acompanhava as entrevistas do Henfil na Imprensa?
Lembro de ler algumas entrevistas e das conversas de bar com amigos, depois, comentando. Não lembro de alguma que tenha sido irrelevante. Todas traziam temas e abordagens comprometidas com a construção de outro país, em tempos de sonho e luta. E sempre muito contemporâneas.
7. O que achou da iniciativa da Editora Noir em reunir estas entrevistas em um livro? Que efeito acha que este livro terá em você e nos demais leitores?
Nos tempos sombrios que vivemos, relembrar as falas de um personagem da resistência à ditadura que expressam a luta e as pautas visceralmente conectadas ao movimento, aos direitos humanos, às causas sociais, é um modo de prestar nossas homenagens a quem luta e lutou assim como serve para manter viva a esperança que vemos em "uma luz no fim do túnel", como dizia a cena final da peça Revista do Henfil. É a oportunidade de relembrar e de apresentar as novas gerações um pouco mais dos tempos de vida, sonho e luta.
8. Henfil era um profissional multimídia, atuando na TV e no Cinema. O que achou das produções do cartunista em TV Homem e Tanga, deu no New York Times?
Não lembro da TV Homem, mas "Tanga" é uma paródia genial, muito adequada para tempos de Fake News.
9. Pra você, qual é o tamanho da falta que Henfil faz?
Henfil é uma daquelas pessoas que não devem ser esquecidas e que se mantêm vivas inspirando a gente. Impossível imaginar o que teria sido a produção dele nos governos Collor, Itamar, FHC, Lula... E hoje, com essa criatura abjeta. Vivemos, depois de sua morte prematura, um processo em que o humor político perdeu muito de sua graça e leveza; muitos humoristas penderam para o conservadorismo. O tipo de humor de artistas como Henfil, Quino, Angeli, Glauco, Bira entre outros é imprescindível para iluminar a crítica social e política.
10. As novas gerações conhecem pouco do trabalho do Henfil e ainda é pouco compartilhado nas redes. O que fazer pra melhorar isso? O livro organizado pelo Gonçalo Jr pode ajudar?
A imensa produção de Henfil precisa ser reeditada e esse livro das entrevistas, organizado pelo Gonçalo Júnior e um importante passo nessa direção.
11. O Brasil hoje está 'sick da vida' com tantos ataques à democracia, à inclusão social, racial e de gênero, à distribuição de renda? Ou a coisa precisa piorar mais pro povo reagir?
O advento das redes sociais alterou a maneira como as pessoas acham que atuam socialmente. Há uma percepção de que clicar "joinha" ou um "vomitinho" é suficiente; os partidos profissionalizaram a política, abrindo mão da atividade dos militantes; a pandemia nos impôs um isolamento e a saída das ruas. Tudo isso afeta a maneira como "reagimos" à situação deplorável em que nossa sociedade está vivendo hoje.
12. Como Henfil estaria reagindo à sanha fascista, totalitária e anti-democrática que abocanhou os três poderes?
Henfil teria criado dezenas de personagens e estaria produzindo intensamente, gritando aos quatro ventos a revolta e mobilizando os artistas para a disputa ideológica.
13. Henfil foi um dos fundadores do PT, que se propunha a transformar radicalmente a sociedade. Esta décima terceira pergunta é o espaço pra suas considerações, não finais, mas futuristas. É possível ainda transformar o país de forma radical? O humor entra nisso?
Só o humor crítico social e políticamente comprometido com uma sociedade justa e igualitária possui o caráter antiautoritário necessário para manter acesa a esperança e o desejo de mudança. É assim que transmitimos às futuras gerações a certeza de que dá pra fazer diferente e que lutar por isso é o nosso legado. Sonhos não envelhecem.
(*) CONTATO COM NEY MORAES
https://www.facebook.com/neymf
Historiador e educador social, Ney Moraes é filho de uma família de intelectuais de esquerda, cresceu entre os livros e quadrinhos de seus pais. Foi dono do Clube Campineiro de Leitores, onde esses quadrinhos circulavam entre amigas e amigos apreciadores da leitura. Seu mestrado tem um capítulo dedicado à HQ, por influência dessa tradição familiar.

AQC ENTREVISTA: TRILHO (*) SOBRE HENFIL

Esta série de entrevistas é uma iniciativa da AQC em apoio ao livro "Sick da Vida", coletânea de entrevistas do cartunista Henfil organizadas pelo quadrinhista, jornalista, escritor e biógrafo Gonçalo Silva Jr. O livro foi lançado na plataforma Catarse pela Editora Noir. Por isso, pedimos que você apoie, compartilhe e comente. https://www.catarse.me/henfil
1. Como você conheceu o trabalho do Henfil?
Tudo o que conheço do Henfil foi através dos seus desenhos e das famosas Cartas pra Mãe. Mas a primeira vez que vi o trabalho do Henfil foi num sebo aqui em Jundiaí. Tinha uns três números do Fradim, já tinha visto uma ou outra tira no jornal (não me lembro qual) mas foi no sebo que eu me encantei com os desenhos rápidos e soltos, como se o nanquim escorregasse no papel. Isso era diferente de tudo que eu já tinha visto!! Eu já estava aparecendo como cartunista. Tinha ganho o Salão de humor de jundiaí. O ano era 91.
2. Qual foi o impacto inicial?
Vi no desenho do Henfil algo que era mágico, o argumento e a crítica eram mais importantes que o desenho. O desenho só situava o leitor no ambiente seco da caatinga.
3. O que chamou mais atenção o humor escrito, as gags visuais ou o traço?
O que me chamou mais a atenção foi o texto rápido e inteligente, era um soco no estômago, coçava a inteligência e fazia rir e refletir ao mesmo tempo.
4. Seu trabalho teve influência direta? Se teve, em que sentido?
O trabalho do Henfil afetou minhas tirinhas diretamente, até o formato quadrado eu copiei (risos). Eu já estava negociando com o Jornal de Jundiaí, o ano era 96 e eu comprava todo quadrinho do Henfil que encontrava garimpando no sebo de semana em semana. Enfim, criei as tiras Brasil 2000 que se passava no País do futuro mas com problemas atuais, o texto era rápido e ágil, eu pegava um tema e discorria sobre ele. Às vezes produzia tiras para a semana inteira, outras vezes passava o dia inteiro para fazer uma única tira e assim era.
5. Qual foi a impacto dos Quadrinhos e Charges do Henfil na Imprensa Sindical? E na esquerda?
Foi total.Eu colaborava para o sindicato dos bancários e volta e meia via uma charge do Henfil reproduzida nos boletins. O trabalho do Henfil na imprensa sindical não era de diversão, era de formação, ver um boletim sem os personagens do Henfil era chato...
6. Acompanhava as entrevistas do Henfil na Imprensa?
Tudo o que via sobre o Henfil era nos gibis do Fradim, o baixim e o cumprido era demais, mas gostava mesmo da Graúna e as críticas sociais que ela fazia ao sul-maravilha.
7. O que achou da iniciativa da Editora Noir em reunir estas entrevistas em um livro? Que efeito acha que este livro terá em você e nos demais leitores?
Acho ótimo, pois eu que conheci o henfil através da obra poderei conhecer mais a pessoa do grande Henrique de Souza Filho.
8. Henfil era um profissional multimídia, atuando na TV e no Cinema. O que achou das produções do cartunista em TV Home e Tanga, deu no New York Times?
Acho que a influência do Henfil marcou gerações, ele sabia usar os meios de informação. Isso era radical.
9. Pra você, qual é o tamanho da falta que Henfil faz?
Para mim faz muita falta, adoraria ver como ele trataria esse atual (des)governo em suas tiras, em seus textos e como ele iria lidar com a espécie de liberdade de expressão que temos nos dias atuais.
10. As novas gerações conhecem pouco do trabalho do Henfil. Apesar de uma exposição de originais no Centro Cultural Banco do Brasil (2005) no Rio e em SP ter tido público recorde na época, o trabalho dele ainda é pouco compartilhado nas redes. O que fazer pra melhorar isso? O livro organizado pelo Gonçalo Jr pode ajudar?
Pode muito, mas também a colaboração dos chargistas para levar o projeto adiante, penso eu.
11. O Brasil hoje está 'sick da vida' com tantos ataques à democracia, à inclusão social, racial e de gênero, à distribuição de renda? Ou a coisa precisa piorar mais pro povo reagir?
O povo está amortecido, temos uma grande parcela que pensa: "Está pior mas é melhor"! Espero que a nova geração, a cultura e os cartunistas vejam a esperança.
12. Como Henfil estaria reagindo à sanha fascista, totalitária e anti-democrática que abocanhou os três poderes?
Essa pergunta prefiro responder nas minhas tiras do Brasil 2000 que faço até hoje.
13. Henfil foi um dos fundadores do PT, que se propunha a transformar radicalmente a sociedade. Esta décima terceira pergunta é o espaço pra suas considerações, não finais, mas futuristas. É possível ainda transformar o país de forma radical? O humor entra nisso?
O humor entra muito nisso. Não falo do humor pastelão (aquele de costumes), mas sim o humor que traz a reflexão. Temos ótimos chargistas, temos assunto, ainda nos falta mais alcance, pois as redes sociais ao mesmo tempo que são um bem e um ótimo veículo de comunicação, têm servido para embates sem compromisso, os jornais impressos fazem falta pois levam o conteúdo todo às casas onde o leitor pode formar sua opinião com calma. Mas usemos as armas que temos. É o que temos. Não vamos abandonar a trincheira ao canto da sereia, há muito a ser feito. VAMOS À LUTA!
CONTATO COM TRILHO
trilhocid55@gmail.com https://www.facebook.com/TrilhoCesar
Chargista no Sindicato dos Servidores Públicos, Sindicato dos Metalurgicos, Sindgraf e Sindicato dos Bancários (todos em Jundiaí). Prêmios: 1º lugar salão de humor de Jundiaí por 5 vezes. 1º lugar salão de humor de hortolândia. 1° lugar são de humor de cerquilho. 2º lugar salão de humor de campo limpo paulista. trabalhou por dez anos para o jornal de jundiai regional com charges e tiras diarias,também publica diversos trabalhos para entidades e sindicatos. Menção honrosa no 14 th Humor festival "AT CARAGIALE`S HOME/ ROMÊNIA.2016 Selecionado para o mapa cultural Paulista por 5 vezes. Nascido em Jundiaí. Lançou três revistas em quadrinhos: Brasil 2000 vol.1 e 2 Cartilha da Natália vol. 1.
http://www.bloggdotrilho.blogspot.com.br/

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